Por que os sistemas ERP precisam ser adaptados?
Com a entrada em vigor da reforma tributária, empresas de todos os portes devem reconfigurar seus sistemas de ERPs. Isso ocorre porque a estrutura de tributação muda profundamente, especialmente com a substituição de tributos como PIS, Cofins, ICMS e ISS por CBS e IBS. Como resultado, os ERPs precisam processar novas alíquotas, eventos fiscais e lógicas de crédito mais dinâmicas.
Assim, a questão não se limita a um ajuste superficial. Na verdade, a reprogramação é estrutural. As empresas devem atualizar regras de cálculo, rotinas de apuração e fluxos de emissão de documentos fiscais. Além disso, validar essas mudanças com antecedência evita inconformidades ou retrabalho contábil.
Quais cadastros fiscais precisam ser revistos?
Para garantir a emissão correta da nota fiscal e uma escrituração sem falhas, é essencial revisar profundamente os cadastros fiscais. Isso inclui:
- Códigos de natureza da receita
- Classificação fiscal de produtos e serviços (NBS e NCM)
- Vinculação com as novas alíquotas de CBS e IBS
- Códigos de benefícios fiscais e regimes especiais
Ao revisar esses dados, as empresas evitam problemas de compliance e aumentam a segurança dos créditos tributários. Além disso, classificar corretamente os itens permite usar de forma eficaz as regras de não cumulatividade.
Segundo especialistas da Retributaria, muitos cadastros ainda permanecem obsoletos. Portanto, esse momento representa uma excelente oportunidade para reestruturar os dados, atualizando campos obrigatórios exigidos pela nova legislação.
Como parametrizar a nota fiscal eletrônica para os novos tributos?
A nota fiscal eletrônica, que segue leiautes da NF-e e NFS-e, também precisa de ajustes. Afinal, os novos tributos exigem códigos e campos específicos. Por isso, as empresas devem:
- Incluir campos para CBS e IBS com respectivas alíquotas
- Diferenciar operações sujeitas ao princípio do destino
- Atualizar a identificação do tipo de receita e o local de destino do serviço
No caso dos serviços, a parametrização exige atenção redobrada. Isso ocorre porque a gestão do IBS terá natureza compartilhada entre estados e municípios. Portanto, é essencial considerar a competência do local de consumo.
Quais são os erros mais comuns e como evitá-los?
Muitos contribuintes, por desconhecimento, deixam de atualizar todos os campos obrigatórios. Dessa forma, surgem notas com:
- Códigos de tributação incorretos
- Alíquotas padronizadas sem distinção por tipo de operação
- Ausência de identificação do beneficiário do crédito
Essas falhas geram glosas fiscais, perda de crédito e risco de autuação. Para evitá-las, o ideal é testar todas as configurações em ambiente de homologacão e capacitar tecnicamente as equipes com foco na nova estrutura tributária.
Conclusão
Adaptar os ERPs à nova realidade tributária exige mais do que conhecimento técnico: trata-se de uma necessidade estratégica. Cada campo mal preenchido representa um risco de perda financeira. Por isso, alinhar sistemas, cadastros e processos garante conformidade e competitividade no novo ciclo tributário.



