Importação: governo zera imposto de 105 itens e retoma alíquota original de smartphones

A decisão do governo de zerar o imposto de importação de 105 itens e, ao mesmo tempo, retomar a alíquota original de smartphones altera o cenário tributário para empresas importadoras. Embora a medida tenha caráter técnico, seus efeitos são estratégicos.

Em primeiro lugar, a redução do imposto de importação impacta diretamente o custo de aquisição. Além disso, modifica a base de cálculo de outros tributos incidentes na importação. Consequentemente, a formação de preço precisa ser revista.

Segundo informações divulgadas pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, o objetivo é corrigir distorções recentes na carga tributária. Como explicou um analista do setor ao Valor Econômico, ajustes tarifários funcionam como instrumento de política econômica.

O que significa zerar o imposto de importação de 105 itens?

Zerar o imposto de importação significa aplicar alíquota de 0% sobre determinados produtos classificados na NCM correspondente.

Na prática, isso reduz o valor aduaneiro tributado. Entretanto, é importante destacar que outros tributos continuam incidindo normalmente, como IPI, PIS-Importação, Cofins-Importação e ICMS.

De acordo com a Câmara de Comércio Exterior, alterações tarifárias podem ocorrer por razões econômicas e estratégicas, respeitando regras do Mercosul.

Fonte oficial:
https://www.gov.br/mdic
https://www.gov.br/camex

Portanto, a medida não elimina a carga tributária total, mas reduz parte relevante do custo.

Por que o governo retomou a alíquota original de smartphones?

A retomada da alíquota original de smartphones corrige uma elevação anterior que tinha caráter protecionista.

Segundo especialistas da FGV, políticas tarifárias precisam equilibrar proteção industrial e impacto inflacionário. Assim, a recomposição da alíquota indica ajuste pontual, e não mudança estrutural.

Além disso, conforme previsto no artigo 153 da Constituição Federal, o Imposto de Importação possui função regulatória e pode ser alterado por ato do Executivo.

Fonte:
https://www.gov.br/receitafederal/pt-br

Como a redução do imposto de importação impacta o custo final?

O impacto ocorre em cadeia.

Primeiramente, a redução diminui o valor do Imposto de Importação. Em seguida, altera a base de cálculo do IPI. Posteriormente, interfere no cálculo do ICMS, dependendo do estado.

Como explicou um especialista em comércio exterior, o efeito pode variar conforme o regime tributário da empresa.

Exemplo simplificado de impacto:

EtapaAntesDepois
Valor CIF100100
Imposto de Importação200
Base de IPI120100
Base de ICMSReduzidaAinda menor

Portanto, a mudança exige atualização imediata nos cálculos internos.

A medida é definitiva?

Não necessariamente.

De acordo com regras do Mercosul, revisões tarifárias podem ser temporárias. Além disso, o governo pode alterar alíquotas conforme cenário econômico.

Como alertou um tributarista consultado pela Retributaria, decisões estratégicas baseadas apenas na alíquota atual podem gerar risco se houver reversão futura.

Algumas empresas já ajustaram contratos supondo permanência da medida, o que pode gerar distorções.

Qual a relação com a Reforma Tributária?

Embora a decisão trate do Imposto de Importação, ela ocorre em ambiente de transição tributária.

A Emenda Constitucional 132/2023 instituiu CBS e IBS. Contudo, o Imposto de Importação permanece como tributo federal regulatório.

Segundo relatório da Receita Federal, a nova lógica de não cumulatividade exigirá maior controle documental. Portanto, alterações no custo de importação podem impactar créditos futuros.

Fonte:
https://www.gov.br/receitafederal/pt-br

O que empresários e contadores devem revisar imediatamente?

Diante da decisão, recomenda-se:

  • Atualizar parametrização fiscal no ERP
  • Conferir classificação fiscal e NCM
  • Revisar política de preços
  • Recalcular margem projetada
  • Avaliar impacto no fluxo de caixa

Além disso, é fundamental verificar reflexos no crédito de ICMS e PIS/Cofins.

Como explicou um especialista em compliance aduaneiro, erro na classificação pode anular qualquer benefício tarifário.

Se a empresa não revisar seus números rapidamente, pode perder vantagem competitiva.

A redução do imposto cria oportunidade estratégica?

Sim, desde que seja usada com planejamento.

Primeiramente, pode recompor margem comprimida. Em segundo lugar, pode permitir redução de preço e ganho de mercado. Além disso, pode melhorar capital de giro.

Entretanto, como destacou um analista financeiro, a vantagem só se materializa se houver gestão técnica adequada.

Empresas que agem rápido capturam benefício. Empresas que demoram apenas acompanham o mercado.

Conclusão

A decisão de zerar o imposto de importação de 105 itens e retomar a alíquota original de smartphones altera o cenário competitivo para importadores.

Além de reduzir parte da carga tributária, a medida exige revisão técnica imediata. Portanto, empresários, gestores financeiros e profissionais da área fiscal devem recalcular custos, revisar margens e atualizar sistemas.

A Retributaria acompanha cada alteração normativa com análise técnica e contextualizada, conectando notícia e estratégia.

Mudança tributária não é apenas informação. É variável estratégica que define margem, competitividade e sustentabilidade empresarial.